terça-feira, 23 de junho de 2009

Antes do Pôr do Sol

CAPÍTULO II
Acordei no dia seguinte com o celular tocando desesperadamente. Era o alarme que tentava dizer: "Você está atraasada! Vai perder a prova!" Como se estar atrasada fosse novidade para mim.
Levantei num pulo, mas ao tentar desligar o despertador, percebi que havia uma mensagem de texto. Aliás, duas. A primeira, era do Pedro, e dizia:
" Cinema amanhã às 16:30h. Que tal? beijos " - Claro que eu estranhei. Afinal, ele não me mandava mensagem de texto desde que a gente terminou. A segunda, era do João:
" Depois do colégio, vem aqui para a casa do Lucas. A Nat também vai estar aqui, então é festa! Tia Julia saiu, e só volta de noite. beijos."
Essas mensagens só significavam uma coisa: O Pedro queria que eu fosse no cinema com ele sozinha, uma vez que o pessoal estaria todo na casa do Lucas. Claro que, de início, veio uma sensação mágica de que nós iríamos voltar, ia ficar tudo bem. Tinha esquecido de tudo o que ele fez comigo, como ele tinha me feito sofrer. Chegando no colégio, fui falar toda empolgada com o Lucas:
" Ah, Luquinhaas, o Pedro me chamou pra ir no cinema hoje! Depois do colégio vou lá pra sua casa, por que o João me chamou. Aí umas 16:30h vou lá pro Cine. Não é mágico? A gente vai voltar. *-* " - Claro que o Lucas não gostou. Ele não suportava a idéia de eu ainda sonhar com o Pedro, imaginar que a gente voltaria. Ele odiava me ver sofrer, e o Pedro tinha sido a principal causa nesses ultimos meses.
" Caaramba Gabi, você não tem jeito mesmo né? Quer ir? Vai. Mas depois, se ele te magoar de novo, não reclama. Você sabe que ele não presta, acho que você lembra também dos dias que vc so queria afogar a cabeça no travesseiro e engolir as lágrimas. Poxa, será que você na percebe? Ele tá carente, ele vai te usar!" - Depois que o Lucas disse tudo isso, meus olhos se encheram de água. Ele tava certo. Mas ao mesmo tempo, ainda tinha possibilidade de a gente voltar. Semana passada, a Nat disse que ele tinha comentado com a Bruna que ele estava pensando em voltar, e tudo mais.
Quando o Lucas percebeu que eu estava quase chorando, ele me deu um abraço forte e disse no meu ouvido:
" Desculpa, Gabs. Você gosta de verdade desse canalha né? " - Fiz que sim com a cabeça e só respondi: " Avisa pro João e pra Natália que não vai dar pra eu passar lá hoje não, ok?"
Me desvencilhei do abraço dele, e segui o resto do dia com um peso nas costas.
Voltei pra casa, tomei um banho, estudei e comecei a me arrumar. Afinal, era preciso tirar aquela dúvida. Quem estava certo: Eu ou o Lucas? Só indo ao cinema hoje para saber.
Fiz questão de me produzir bastante, claro. Até por que, queria que ele tivesse certeza do que estava fazendo, caso fosse apenas me usar, segundo Lucas. Levei no mínimo uma hora para escolher a roupa, mas por fim, acabei me decidindo, e mais um vez, me atrasei.
Cheguei lá uma meia-hora atrasada, e ao me ver, ele simplesmente correu, me abraçou e disse: " Pensei que você não vinha. Vem, já comprei a sessão." Então ele me puxou, com um sorriso no rosto, e a única coisa que me passou pela cabeça, foi que dessa vez, Lucas estava errado.
Entramos então, no completo escuro. O filme já tinha começado, a pipoca já tinha sido comprada, e os lugares, reservados. Ele tinha certeza que eu vinha. Passou-se o filme todo, e ele nada. No máximo, pegava na minha mão, me passava a pipoca ou recostava a minha cabeça no ombro dele. Eu já estava agoniada, e nem prestava mais atenção ao que se passava com os personagens da tela à minha frente. Só pensava que talvez, ele só quisesse perdão e amizade.
Foi quando saímos da sala de cinema, sentamos com o Refrigerante nas mãos, e ele puxou meu queixo pra si. Me deu um beijo tão suave, que não senti mais meus pés tocarem o chão. De repente, o celular dele toca. Ele se levanta, interrompendo todo o romantismo, e quando volta, diz que precisava ir. Me deu mais um beijo, dessa vez, mais longo. Até outra interrupção...
João aparece atrás dele, o puxa pra trás e diz:
" Faz isso de novo com ela, dá esperança para ela e depois magoa, para você ver o que te acontece!"
Assustado, Pedro só responde: " Se manda, garoto. Volta pra sua máfia italiana, ô Al Capone" - e vai embora.
Claro que, depois disso tudo, houve grande discussão entre o João e eu. Lucas prefiriu defender o primo, e por isso, acabei brigando com ele também. A única que não interferiu na história foi a Nat, que só disse:
" Acho que você sabe bem o que está fazendo. Os meninos só querem o seu bem, mas eu não tenho nada com isso."
Exatamente, ninguém conhecia o Pedro como eu conhecia. Ninguém sabia o fofo que ele podia ser, nem o príncipe que era quando a gente namorava. O que houve recentemente foi um erro. E errar é humano. Mas será que eu estava me enganando mesmo com relação a ele?

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