segunda-feira, 22 de junho de 2009

Antes do pôr-do-sol

CAPÍTULO I

Lá estava eu, de novo, sentada na beirada da calçada, olhando pro vazio ao meu redor. Eram exatas 17:30h e o sol já estava se pondo. Eu adorava ver o sol colorir de laranja todo o céu, e aos poucos, dar espaço para a lua e as estrelas. Apesar de que, ver o pôr-do-sol por entre prédios, carros e fumaça não era lá graande coisa. Assistir na praia era bem melhor, claro. Mas não tinha nenhum dia que eu não fosse me despedir do sol, ou dar boas-vindas à lua, independente do lugar onde estivesse.

De repente senti uma respiração leve na minha nuca, e uma cosquinha atrás da orelha:

- " Oi Gaabi. De novo vendo o pôr do sol? Você não cansa?" - Era o Lucas, meu melhor amigo, vizinho, quase irmão. Ele gostava de dizer, que era meu amigo de barriga. Que a gente já se conhecia antes de nascer até. Afinal, minha mãe e a mae dele são melhores amigas desde o Ensino Médio até hoje. - " Oi Lucas. :) Pois é, vc sabe como eu amo o pôr-do-sol. Aproveitei claro, pra colocar as idéias em ordem, ver se eu consigo me reogranizar e tudo mais."

-" Ah Gabi, vai dizer que ainda é aquela história com o Pedro? Poxa, já disse que o que passou, passou. Chega de pensar nele, né? Já deu. Você acha que nesse momento ele tá pensando em vc?" - às vezes, o que me irritava muito no Lucas era o que eu mais gostava também: a sinceridade. Tinha vezes que, de tão sincero, ele acaba me mandando umas reais, que me magoavam até. Mas eu precisava disso, senão, ia criando esperança, sonhando, e acabava magoada. Aí, sobrava pra ele me consolar, sempre.- " Poxa Lucas, também não precisa ser tão grosso. Ai, eu gosto dele, eu sei que não rola mais nada além do que houve entre a gente, mas poxa... Aff, eu sou muito idiota né?" - Ele deu uma risadinha leve, bagunçou minha franja e respondeu - " Só quando tá pensando nesse trouxa. Te juro que, se eu cruzo na rua com essa bichinha, ele vê só! "

Ao falar isso, ele fez uma careta, e só aí eu também ri. O Lucas era o único que tinha o poder de me fazer rir a qualquer momento. E nossa, eu sofria muito quando ele não tava por perto. - " Tá, já chega né Gabi? Vamos falar sobre outra coisa. Chega de Pedro por hoje. Já anoiteceu, o que vc acha da gente ir lá pra casa, comer uma pizza e ver um filme? O João chegou ontem de viagem e tá lá em casa também. Ele vai adorar te ver. " - João era o primo do Lucas, que morava na Itália. De vez em quando, ele vinha visitar a gente, e de fato, ele me adorava. Quando a gente era menor, as coisas eram engraçadas, e bem diferentes. Eu devia ter uns 8 anos, o Lucas, uns 10, e o João 12. O Pedro tinha 11, e a Natália e a Bella, amigas minhas até hoje também, tinham uns 8, como eu. Éramos assim, amigos e unidos, até o João ir pra Itália, e a Bella ir pra Recife. Sobrou então o Pedro, a Natália e o Lucas. Sem mentiras, o Lucas nunca gostou muito do Pedro. E depois de tudo entre a gente, as coisas entre eles só pioravam.

- " Ah, vamos sim. Estou com saudades do João. Vou tentar ligar pra Nat, ver se ela vem também. Assim, esqueço o Pedro."

Lucas sorriu, me ajudou a levantar, e me abraçou. Ele sabia tudo o que eu estava passando, sabia como doía por dentro, e me conhecia o suficiente pra saber que eu não ia desabafar muito mais do que eu já tinha dito ali, naqueles 15 minutos. Ele sabia que o meu orgulho não me permitia exteriorizar o que eu sinto. Me deu um beijo na bochecha, como se dissesse: " Você pode contar comigo". Eu sorri, e fomos abraçados até a casa dele, umas duas quadras de distância.

3 comentários:

  1. ameeei *_*
    eu keria saber.. como manda selo p/ blog??
    quando souber mando um p/ o seu!
    bjs

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  2. eu ainda não lie todo mais eu vou ler...

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