terça-feira, 18 de agosto de 2009

Antes do pôr-do-sol

Capítulo 6


Após não pregar os olhos a noite toda depois da '' declaração'' do João, quando todo mundo foi tomar café da manhã estava parecendo o monstro da catacumba. Cheia de olheiras, cabelo desgrenhado e cheirando a pipoca, bolsa no olho...Uma beleza. Saí imediatamente para o banheiro. Quem precisaria de café da manhã quando se acorda parecendo um panda?
Depois de reparar todos os danos da noite anterior, fui pra sala onde estavam todos reunidos discutindo a programação de hoje. A primeira voz que ouvi foi a voz do João. Me subiu um frio na espinha lembrando da conversa.
Entrei na sala, normalmente, mas não pude evitar olhar para o João. Sério, sinceramente, o que ele estava tentando me dizer?! Tá, tipo, óbvio que eu entendi porque eu não sou retardada, mas o que ele esperava que eu fizesse? Saísse correndo, caísse nos braços dele e falasse: '' Ó, João, amor da minha vida. '' Cara, o que estava acontecendo? Eu não entendia mais nada. Eu já não tinha um namorado, tinha um melhor amigo apaixonado e, ainda por cima, uma prima parisiense maluca ( no sentido bom da palavra ) para abrigar. Só um adjetivo poderia descrever a minha vida neste momento: Tensa.
Então me sentei no sofá verde oliva da sala do Lucas ainda viajando nos meus pensamentos. Agora eu só podia correr para uma única pessoa...Lucas, o meu melhor amigo que estaria sempre ali quando eu precisasse.
A conclusão do programa de hoje não se concluiu porque a Clarissa não se decidia. Então, resolvemos decansar para ir para a praia amanhã. Todos foram embora, ficamos somente eu, Lu e Clá.

Clarissa, sentindo a tensão, falou que ia dormir e foi pro quarto. Me senti melhor, era muito bom quando alguém sentia o que tinha que fazer e poupava o trabalho de a gente falar em voz alta. Coloquei a cabeça no ombro do Lucas e falei que precisava conversar. Ele botou meu cabelo atrás da orelha e perguntou o que tinha acontecido.

Contei, contei tudo. Sobre a conversa, sobre as coisas que o João havia me falado. Senti o Lucas tremer e a sua mão se fechar. '' Mas você não está pensando em ficar com ele, está? '' foi a única coisa que ele conseguiu dizer. Sinceramente, eu estava pensando em ficar sim. O João é uma graça, um amor e além de tudo uma pessoa em que eu podia confiar cegamente. Então respondi que sim, que era provável que eu ficasse com o João. Foi aí que começou a discussão:

L: COMO ASSIM VOCÊ ESTÁ PENSANDO EM FICAR COM ELE? VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!
G: Lucas, calma. O que que tá acontecendo, Meu Deus?
L: VOCÊ NÃO RECEBEU O BUQUÊ? É ISSO QUE TÁ ACONTECENDO!
G: Eu recebi o buquê, mas não tô entendendo nada.
L: ENTÃO EU VOU DIZER. EU MANDEI O BUQUÊ PORQUE EU NÃO TIVE CORAGEM DE REALMENTE FALAR COMO EU ME SINTO EM RELAÇÃO A VOCÊ. COISA QUE PARECE QUE O JOÃO FEZ MUITO BEM ONTEM DE NOITE.
G: Você que mandou o buquê? Pera...O QUE FOI QUE VOCÊ FALOU?
L: QUE EU TE AMO...
Foi aí que a voz dele começou a sumir, graças a Deus porque meus timpanos já não estavam aguentando. Ao mesmo tempo, meu celular tocou e só pelo Funk do Bob Esponja reconheci que era a minha mãe ligando. Ela havia chegado. Clarissa disparou pela sala, dando só um '' tchau, Lu '' e soprando um beijo pra ele saiu pela porta da frente. Com certeza ela tinha escutado, bom, eu acho que o Rio de Janeiro todo escutou mas isso não vem ao caso. Isso me pouparia de ter que contar a ela toda a conversa, porque cada vez que eu ouvia as palavras dele na minha cabeça parecia um novo machucado.
Durante todo o caminho de casa, segui em silêncio. Agora eu só queria dormir e me livrar de toda aquela dor...até o sol nascer.

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